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Condomínios investem em novas tecnologias, como biometria e sistemas de monitoramento, que ajudam a fiscalizar os vigias nas portarias Jussara Soares. Enquanto a cidade dorme, os funcionários a postos nas portarias dos 35000 condomínios residenciais da capital deveriam estar alertas. Na realidade, nem sempre é assim. Moradores de um prédio na Rua Ministro Godõi, em Perdizes, por exemplo, acostumaram-se a sacudir o plantonista em plena soneca no meio do expediente noturno, o que põe em risco a proteção do edifício e a vida do próprio funcionário. A prática de cochilar tornou-se mais evidente após a contratação, em junho, de um "sistema antiarrastão", para combater o crime temido por quem vive em apartamento. A tecnologia consiste no monitoramento da guarita em tempo real, com a instalação de câmeras conectadas a uma central externa. O objetivo original do serviço era registrar e acompanhar a ação de invasores. Mas ele acabou funcionando mais como vigia do vigia. Nos três meses de operação, as cenas que chamaram mesmo atenção foram os vários flagrantes de cochilo na guarita. Nessas ocasiões, técnicos da central telefonam para despertar a pessoa. A cada trinta dias, um relatório é enviado ao condomínio. "Nos primeiros dias, os vigias estranharam a medida, mas depois se acostumaram e ficaram mais atemos", conta o síndico Alexandre Garcia do Souto. Uma das empresas especializadas no serviço, a WL Segurança Eletrônica fez um levantamento inédito que quantificou o problema. De janeiro a agosto deste ano, com base no monitoramento de 66 guaritas na capital, a companhia registrou um cenário preocupante: cerca de 70% dos porteiros dos horários noturnos pegam no sono em algum momento do plantão. Os flagrantes mostram desde "pescadas" inocentes até sonecas mais profundas. "É um problema grave, pois é no período noturno que o prédio fica mais vulnerável", afirma Marcelo Lan­ cellotti, diretor técnico da WL. A procura por esse novo serviço de monitoramento vem aumentando na metrópole. Ele custa 500 reais por mês (uma guarita). Na Haganá Segurança, que opera em 450 edifícios da cidade, o crescimento foi de 30% nos últimos dois anos. A demanda aquecida está ligada principalmente ao medo dos arrastões. Mas o uso que a tecnologia vem tendo como vigia do vigia é um plus importante. Ao mesmo tempo que agrada aos clientes, está incomodando o sindicato que representa os empregados. "Somos contra esse tipo de patrulha", critica o presidente do Sindifícios, Paulo Ferrari. A média salarial da categoria é de 1 300 reais, excluindo-se adicional noturno e hora extra. "Muitos são obrigados a cumprir dupla jornada para completar a renda", diz Oswaldo Oggiam, diretor da Assocíação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança. O sistema anti-arrastão inclui outros serviços. Os mais comuns são sensores que indicam se a porta da guarita está aberta, a exigência de senha para acessar a cabine e uma espécie de "botão antipâtico". Nesse caso, em momentos de perigo, o funcionário digira um código em um painel e a equipe de segurança externa é informada, Um levantamento do Secovi, o sindicato da habitação, mostra que cinco arrastões ocorreram na cidade neste ano. No ano passado, foram treze. Outras estáticas ajudam a explicar a atual sensação de insegurança, O número de roubos por aqui aumentou 32%. De janeiro a agosto de 2013, foram 82573: contra 109140 no mesmo período deste ano. O ataque de bandidos a apartamentos continua frequente. A Haganá Segu­ rança registrou três casos somente em setembro. "Os criminosos tentam invadir passando-se por funcionários ou parentes de um morador", diz o diretor operacional da empresa, Ricardo Francisco Napoli da Silva. Em um ediffcio na Vila Mariana, houve duas abordagens suspeitas em agosto. Os bandidos fugiram depois que a segurança exigiu documento de identidade. "Passamos a pedir aos moradores que cadastrem os visitantes com antecedência", conta o síndico Edson Lammoglia. Há dois anos, o prédio também investiu na blindagem.da guarita e cercou o entorno com quarenta câmeras. Devido a esse cenário, condomínios de alto padrão têm recorrido a outros aparatos, como controle de acesso por biometria (veja detalhes no quadro ao lado). "Isso era comum em prédios comerciais e começou agora a migrar para os residenciais", afirma Fernando Moreira, diretor do Grupo GR, responsável por 500 endereços na cidade. Nos últimos meses, quinze deles adotaram o sistema de leitura de digitais. É o caso de um luxuoso condomínio nos Jardins onde funcionários e moradores dos trinta apartamentos, além dos visitantes, precisaram cadastrar os "dedos" para entrar no local. Os antigos controles de garagem também estão com os dias contados. Novos sistemas, como o que lê a placa do veiculo antes de abrir o portão, começam a ser utilizados. Para 2015, a novidade do mercado será um equipamento de reconhecimento facial, para acesso ao edifício, ainda sem estimativa de preço. "A segurança predial é um tripé que envolve equipamentos atualizados, funcionários treinados e moradores que respeitam regras", entende o vice-presidente do Secovi-SP, Hubert Gebara. (Revista Veja S. Paulo/SP – Outubro. 14 – pg 28 e 29)